Imediatamente virei um caçador frio e calculista. Logo no dia primeiro do ano levei a moça da Galeria dos Pães para casa. De lá para cá já contabilizo meia dúzia de abates, sendo duas delas ao mesmo tempo. O romântico estava morto. Voltei a ser um homem como outro qualquer.
O desejo masculino é quase sempre uma forma destrutiva e perigosa, inteiramente divorciada do amor e do afeto. Cheguei até a pensar que amar uma pessoa, ou mesmo gostar dela, nunca melhorou em nada o prazer sexual.
Pode ser que sexo seja agressão, e, se você não se importa com outra a pessoa, isso intensifica a experiência para o lado mais selvagem, primitivo, do ato.
Talvez por isso que as prostitutas sempre fizeram e continuarão fazendo sucesso por toda a história da existência humana. Eu particularmente não gosto delas. Dentre todos os motivos que possuo para não pagar por sexo é que no final das contas a pessoa explorada e humilhada em sua dignidade é aquela que teve que pagar pelo prazer primal, ou seja; o cliente e não a prostituta.
Segundo meu bom amigo Dom Ferdinando, "Sexo é a inconsciência do esquecimento, em nada semelhante com esse discurso politicamente correto sobre comunhão espiritual e amor. Sexo é trepar. Sexo é regressão a um estado natural, animalesco. O homem das cavernas. Egoísta. A gente saliva, a gente morde, a gente arranha e rosna como animais. As drogas, os acessórios, os chicotes, as correntes, são todos temperos para complementar, intensificar –ou melhor, garantir que se atinja – a mesma coisa. O esquecimento. Um estado de regressão que nos faz involuir, recuar. É foder. É esquecimento."
Não acho que ele deixe de ter razão, mas acabo de me dar conta que isso desumaniza as pessoas. Estou desiludido com o sexo sem lastro. Hoje em dia, não passa de uma maneira de usar outras pessoas. Pode ser profundamente prazeroso transar com alguém e não se importar com quem é a pessoa, o que ela é ou que quer. A sexualidade virou algo muito instrumental. Você simplesmente usa outras pessoas para se masturbar. E não há relacionamento nenhum. E tudo isso me parece meramente narcísico, vazio, sem valor. Até os anos 1950 reprimia-se o sexo; hoje reprimimos o amor.
E os dois últimos posts foram, nada mais, nada menos, do que um rompante desesperado de reverter esse quadro; buscando em um relacionamento platônico viver um idílio amoroso à distância.
Mas quem conseguiria ser feliz assim?
Impossível.