
Você sabe quem é o sujeito com cara de idiota a cima? Se não sabe, sorte sua. Neste caso, tenho o desprazer de lhe infomar: é Reinaldo Azevedo. Quem? Pois é, ele não deveria ser ninguém, mas graças a revista Veja que o contratou como testa de ferro ele é um blogueiro muito lido. Qualquer um que escreve sob a guarita da terceira revista em circulação do mundo é lido. Meu velho pai, que assina a dita cuja há 35 anos e não pretende renovar a assinatura, sabe da guinada a direita da publicação da Abril.
Por que falo dele, o raro leitor deve se perguntar. A resposta é: para expor o que chamo de "lavagem de notícias". Sabe o tal Daniel Dantas, o chefe de quadrilha que tem o PSDB, PT, STF e toda a grande imprensa no bolso? Pois é...
Agora que a mídia coporativa não tem mais a exclusividade da opinião pública, por causa da internet, a intolerância é usada como arma política pelos gigantes da comunicação e trasformam um jornalista ralé qualquer em porta-voz da classe média acéfala que assiste novela e só lê livro de auto-ajuda.
Uma vez disse a um neófito que o admirava que ele era profundo como um pires em suas análises. Ele rebateu: "quem escreve bem? Mino Carta?" Bem, aquele que dirigia a mesma Veja há até trinta anos, quando ela era respeitada até por quem pensava de maneira contrária, tem muito mais recursos intelectuais e capacidade técnica, a despeito da visão política, do que o senhor Azevedo. Desisti de discutir com o retardado depois dessa.
Retardado porque não percebe, de maneira burra, coitado, que a única forma proposta para acabar com a pobreza é eliminar os pobres. Ele disse que seria um absurdo achar que a maioria dos ricos são maus e não querem o bem dos pobres. Pois eu digo que os únicos pobres com quem eles se preocupam são os armados.
A classe média paulistana gosta de explorar sua empregada doméstica com um salário miserável para limpar sua privada e lavar suas cuecas e deixá-la sofrer quatro horas por dia apertada no transporte coletivo e reclama do "causáereo" quando o seu vôo atrasa meia hora. É o mesmo que paga escola particular para os seus filhos mas não se importa que os filhos das empregadas estudem em escolas públicas sofríveis com o dinheiro dos seus impostos. E que paga plano de saúde para família sem se importar que aqueles que não podem pagar sejam mal atendidos em hospitais públicos custeados pelos tributos de todos. Gente ignorante que acha que um verdadeiro esquerdista tem que fazer voto de pobreza para ser honesto. Miopia que impede entender conceitos de distribuição de riqueza e prefere se enjaular em condomínios fechados.
Importante ressaltar o grande feito da mídia que é fazer a classe média acreditar que os privilégios da elite também são os seus. Portanto, não é difícil ouvir frases de revolta contra o bolsa-família (elogiado pela imprensa internacional e imitado agora pela Itália de Silvio Berlusconi) e nenhuma indignação quanto ao velho PROER dos bancos.
Voltando ao personagem que ilustra este post, Reinaldo Azevedo, que nunca, repito NUNCA fez uma única coluna com algo que realmente representasse um problema para Dantas, como esse Opportunity Fund, o dinheiro que Dantas levou da Telecom Italia, ou as sacanagens conjuntas com Mangabeira Unger. Mas tem gente leiga que pensa que Reinaldo é "contra Dantas", porque liga Dantas ao Mensalão e outras coisas que só servem à chantagem de Dantas, mas aparentemente "falam mal". É a lavagem da notícia!
Leiam este trecho extraído da revista Veja da última semana:
"O alvo principal da investigação é o tal ex-banqueiro Daniel Dantas, um tipo sempre encrencado com a Justiça e a polícia, que se julga mais esperto do que a esperteza e que, fossem os policiais menos amadores, já teria sido facilmente flagrado em delito."
Se a Veja afirma ter tanta certeza que Daniel Dantas praticou delitos, por que ela mesma não produziu uma única reportagem contra o banqueiro, diferentemente da Carta Capital e da Teletime? Por que todas as reportagens da Veja sobre a Satiagraha têm como alvo somente os bons policiais Protógenes Queiroz e Paulo Lacerda que são cumpridores do seu dever?
Agora que o sistema capitalista está em crise, faltam argumentos aos neoconservadores. Não conseguem justificar porque uma empresa privada precisa de verba pública (o meu, o seu, o nosso dinheiro) quando o seu prejuízo é enorme e o risco de quebrar é eminente, mas não socializava os lucros quando ia bem. Então eles inventam essas conjecturas mil para justificar a própria existência ancrônica.
Repare quem seus leitores são: alguns direitistas convictos e uma maioria de ingênuos e boçais sem ideologia que são presas fáceis da Direita. Quando ele proclama "por uma escola sem partido" na verdade ele faz campanha para que não ensinem pensamento crítico nas escolas. Bastam que as crianças sejam vorazes consumidoras e pronto; seu caráter está formado.
Este sujeito elogia Gilmar Mendes reiteradamente (o homem que mandou soltar Daniel Dantas duas vezes) e critica desavergonhadamente o juíz Fausto De Sanctis e o delegado Protógenes Queiroz, que o colocaram na cadeia. Isto já diz tudo, não? Marionete de Dantas! Só não vê quem é cego.
Resolvi lê-lo por curiosidade mórbida e desacreditei nos meus olhos. O sujeito diz que o racismo no Brasil é uma farsa e que, portanto, a política de cotas e imoral. Sim, claro, há tantas famílias negras nos restaurantes e tantos estudantes negros nas universidades que ações afirmativas num país onde 50% da população é afrodescendente são descenecessárias... afe, não pretendo continuar este assunto aqui feito o idiota que ele é. Sim, porque afirmar que legaliza o ódio racial e de classe o governo através da lei que reserva 50% das vagas em universidades federais para estudantes da rede pública de ensino (e metade destas para pretos e pardos) é uma leviandade sem tamanho, uma obtusidade típica de quem não quer enxergar que a discriminação legal é salutar em busca de corrigir uma gritante distorção existente, de fato, na nossa sociedade tão desigual, pois o injusto é tratar igualmente os desiguais.
Mas, de novo, vamos à estratégia dele de limpar a barra do Dantas. E eu cai na dele recentemente ao respondê-lo. Explico: De Santics emitiu uma opinião sobre a Constituição, que ela pode ser revogada pela vontade popular, pois é ao povo que ela serve. "Artigo primeiro -Todo poder emana do povo blá blá blá..." então ele a tirou do contexto e o desqualificou como membro do Judiciário por causa disso. Ora, certo ou errado a opinião do digno juiz pouco importa. Respondi que não era bem assim, citei até o falecido jurista Franco Montoro e Azevedo publicou apenas trecho da minha resposta para desqualificá-la e então entendi o truque: desviar o foco sobre Dantas e jogá-lo sobre uma suposta incapacidade do corajoso membro da nossa Justiça.
Desconsiderar qualquer pensamento dissonante; este é o trabalho do idiota com cara de idiota. O que ele faz é exatamente o que ele acusa os outros de fazer; esmagar pensamento contrário e debochar do direito ao outro expressar-se diferente. "Marcha da maconha? Não pode!" Liberdade de expressão, para ele, só é boa quando condiz com suas idéias reacionárias. Uma tese nuançada como a de De Santics e defendida por mim não consegue ser assimilada por sua mente dicotômica que apenas enxerga "ídolo" ou "canalha" - isto é uma das componentes que George Orwel (autor de "1984") costumava chamar de totalitarismo.
Ele não se sensibiliza com a máxima "é legal mas não é justa". Claro que as leis existem para serem cumpridas. Mas a luta contra escravidão, entre outras iniqüidades como o aparthaid, sempre contou com a simpatia das pessoas verdadeiramente civilizadas. Os versos de Castro Alves em "Navio Negreiro" podem ser tidos como subversivos, em revolta contra a lei vigente da época.
Porém, se dependesse dele, a abolição da escravatura jamais teria ocorrido e Barack Obama estaria no seu devido lugar; levando chicotadas em algum tronco de alguma senzala. Ou em sua versão moderna; a favela.