Tenho ocupado meu tempo livre escrevendo um roteiro. Sobre isto falo num futuro breve.
Mas para não passar em branco esta data querida (mesmo dois dias atrasado), eis uma auto-crítica deste ano um:
Não pretendo ser mais um desses blogueiros que preferem se afundar na bebida e na leitura de Hunter Thompson e Bukowski - fazendo tipinho assim: "heim? há! Tcharles Biukáuski". Nessa união entre o dândi e o beatnik encontra-se o meio de projetar sobre os outros a imagem de que a vida é pura seqüência de desejos espontâneos vividos em plena intensidade, com sentimentos sempre “campeões em tudo”. Se eventualmente perdem, é porque o mundo é mau. Nessa projeção costuma estar alguém que se engrandece através do sofrimento e afeta sem ser afetado.
Trata-se do personagem romântico incorrigível que se frustra continuamente porque as mulheres de hoje em dia só querem saber dos cafajestes. Como se eu mesmo não posso ter sido um deles, e, justamente, com aquelas especiais, as românticas. Ou como se determinada espécie de romantismo não soasse piegas e fosse mesmo refratário.
Por isso, passando à produção literária, não faz muita diferença que o meu alter-ego passe por apuros e seja realmente vitimado pelos outros se ele mesmo não enxergar a sua culpa nos males. Todos somos culpados. Se o personagem é fundamentalmente inocente do começo ao fim, é grande a chance de que seja apenas uma versão mais perfeita de mim mesmo, ou seja, uma fraude.
Para ser franco cheguei a um ponto em que manter-me saudável vale mais do que sangrar palavras. Maturidade é conseguir usar sangue cenográfico, sair ileso e sem medo de revelar o fedor das cagadas. Deixar o protagonista feder é fundamental.