
Assisti a Control, docu-drama sobre o finado Ian Curtis (se não sabe quem é nem o que foi Joy Division, vá procurar no Google).
Apesar do caratér "relatório cronológico dos fatos", que deixa toda a angústia existencialista do personagem restrito às suas letras expostas em sequência videoclíptica, o pós-final me colocou a pensar.
Ian tinha apenas 23 anos quando suicidou-se. Era um pós-adolescente que meteu o pés pelas mãos ao querer ser adulto muito cedo e que acreditava que este erro era irreparável diante da possibilidade de experimentar a síndrome de Peter Pan ao se descobrir um promissor rockstar.
O que estou tentando dizer é que esse sujeito que morreu antes mesmo de eu ter nascido ficou eternizado como um herói genial, um mito, uma lenda, um semi-deus.
Na verdade, qualidade artística a parte, percebo agora que tratava-se meramente de um sujeito imaturo e irresponsável e como ele, Kurt Cobain, outro ídolo do rock de mesmo quilate que morreu estupida e precocemente ao suicidar-se.
Eu, que sempre olhei para esses caras com devoção mais do que religiosa, começo a sentir na pele a mortalidade deles. Pela primeira vez os vejo como iguais.
Talvez essa tangibilidade seja mero amadurecimento.
Talvez, daqui algum tempo eu os veja de maneira ainda pior, como seres inferiores a mim.
Talvez, toda a intesidade vivida por eles e tão fielmente expressada em suas canções seja contraditória à maneira como abdicaram de viver.
Talvez o dom que possuiam estivesse diretamente ligado aos problemas emocionais e mentais.
Talvez, se pudesse escolher, Brian Jones preferia ter o mesmo destino de Keith Richards.
Enfim.
Envelhecer é um desafio para sábios em praticidade, não para os gênios sensíveis.
É muita dor e sofrimento para absorver ao longo do tempo.
Mas, talvez, depois de velho a gente tenha aprendido a digerir.
Aguentar até lá para descobrir é o desafio.