Não consigo mais sentir orgulho por tudo que faço; nada que conquisto é válido.
Vontade: jogar tudo pro alto.
As vezes dinamito a mim mesmo só pra atingir os que estão à minha volta. Não chegue muito perto; homem-bomba-emocional vai ferir você!
Tô de saco cheio de esperar por uma eterna virada. "Cansei de invejar o sucesso da mediocridade alheia", disse eu um dia.
E não é que hoje em dia recebo elogios de tudo quanto é gente? Apesar de não reconhecer a honestidade em alguns, sinto sicenridade da maioria.
Humpf! Já não sei mais de quantos imbecis é composta a humanidade.
Vivo num país onde o dinheiro público financia otários corajosos e seus projetos "culturais" e eu me pergunto do que adianta minha sensatez medrosa.
Talvez a veradeira dicotomia não seja "medo versus coragem" mas sim "cara-de-pau versus timidez".
O que eu quero afinal?
Sei lá! Não sei ao certo, este é o problema.
Amar e ser amado é básico.
E gerar um descendente.
A vida eterna é impossível e inaceitável.
Porém eu preciso ter consciência de que ninguém vai ser uma continuação minha.
Puta que o pariu, farei sofrer e ainda hei de sofrer. Estamos todos condeandos a isto. É o preço por estar vivo.
Pois pago com gosto. De sangue.
A maioria das pessoas - os idiotas que não dão a mínima - está morta e nem tem consciência disso. Não fazem nenhuma diferença.
Divirtam-se, ocos.
Eu quero SOFRER pra poder melhor VIVER.
Até a última gota sanguínea de lágrima e suor. Salgando assim a minha existência ao buscar os temperos da vida.
Meu maior desejo é marcar, cravar em marca de cicatriz essa efêmera passagem por aqui. Tatuar isto aqui - chame de "Terra, Vida, Existência" - ou seja lá o que for essa carne e osso que encobrem nossos sentimentos e pensamentos.
Alma versus Matéria, Espírito versus Corpo, Física versus Meta-física; eis os duelos da nossa vã filosofia.
Blá, blá, blá.
Porra, não vou medir esforços e empenho, caralho. Preguiça é cova. Desleixo é caixão e vela preta e flores brancas. Descaso é crematório. Negligência, imprudência e imperícia consigo mesmo.
Tô fora! Fora desse mausoléu de alegorias travestidas de alegrias. Hedonismo cansa e é inútil. Perda de tempo. Tempo tão precioso e cada vez mais escasso.
Renasci.